segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Os Meus Guardiões

        Desde criança que vivo intensamente cada pedacinho de tempo passado junto ao Mar, naquela pequena localidade de veraneio, chamada Arcos, freguesia de Santa Luzia, Ilha do Pico, Açores. Uma costa escarpada de basalto negro e de difícil acesso ao Mar, onde está inserida a pequena adega de meus pais. Tratamos esta costa pelo nosso quintal. Cuidamos e respeitamo-lo por tudo o que ele nos dá. Caça submarina, pesca às "vejas", sargos, salemas, polvos, cavacos, santolas... lançamento de rede durante a noite, lançamento de "tarrafa", apanha de lapas e de caranguejos, pesca à moreia de buraco, pesca noturna ao mero e ao "crongo" (congro ou safio)... um enorme rol de atividade, de sustento e de prazer. Lembro-me, com os meus quinze anos, de ter como animal de estimação uma moreia pintada. Todos os dias (quando o mar permitia), lá ia dar um mergulho em apneia, para apanhar uns sargos e umas salemas para a alimentar. Saía do buraco para me cumprimentar. Mostrava os seus dentes afiados, como se estivesse a sorrir. Oferecia-lhe um banquete de que tanto ela gostava. Um dia, depois de eu ter um mau pressentimento, ela não me apareceu... Nunca mais a vi... Alguém a teria pescado?... Com muita tristeza, até hoje, nunca mais houve outra moreia a viver naquele buraco!
        Teria mil e uma histórias e memórias para contar do nosso quintal. Hoje não contarei mais histórias. Hoje falarei dos Meus Guardiões. Enquanto brincava ou pescava neste quintal, olhava para as escarpas e via inúmeras saliências nas rocha que se assemelhavam a caras de seres humanos ou outros seres. É como que a alma dos meus antepassados estivesse presente e me observasse constantemente. Sentia-me protegido e muitas histórias teria para contar de como aqueles guardiões nunca me abandonaram e me resguardaram dos maiores perigos. Ano após ano, a erosão provocada pela forte rebentação das ondas de inverno, levava consigo alguns guardiões, mas esculpia outros. Como a roda da vida... uns vão, outros ficam... outros nascem de novo... Mas, lá no fundo... nenhum deixa de existir. Tenho na minha memória muitos guardiões que deixaram de existir fisicamente.
        Curioso... quando estou fora do meu quintal... continuo a sentir a proteção de todos estes guardiões... Resta-me agradecer a todos eles... aos que foram, aos que nasceram de novo e aos que perduram no tempo. Fica aqui uma pequena homenagem, com algumas fotos que tirei no nosso quintal, no passado dia 10 de Agosto.









































     


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Espírito da Montanha do Pico

Fotografando o Espírito da Montanha do Pico
        A Magia da Ilha do Pico arrasta o tempo para o vácuo. Graças aos registos das passagens aéreas, sabemos que cá chegámos à cerca de um mês, contudo o tempo desapareceu e deixou de ser mensurável. Cada momento vivido perdura na nossa memória, na nossa alma... no nosso coração, tornando-se eterno. Por outro lado, as unidades de medida do tempo, tais como os segundos, os minutos, as horas e os dias, voam, tão rápido, para o vácuo e deixam de existir... Já estamos de bagagens para regressar ao Ribatejo!
        Um dos nossos desafios deste ano era escalar a Montanha do Pico. Sem unidades de tempo, trilhámos mais um Verão sem nos apercebermos. Tudo passou tão rápido e ainda não tínhamos concretizado esse sonho da nossa filha mais velha. O Espírito da Montanha sussurrou-me ao ouvido... "ou vão durante a próxima noite, ou as condições meteorológicas já não serão favoráveis até à vossa partida para o Continente"! A Montanha mantivera-se completamente forrada de nuvens durante o dia. A previsão meteorológica na RTP Açores, das 19h55, contrariava o sussurro do Espírito da Montanha. Às 21h00, a Montanha começou a espreitar, por detrás das nuvens e às 22h00 o Pico estava completamente descoberto do lado Norte (o nosso lado)! A Lua preparava-se para sair, um prenúncio de que as nuvens se afastariam. Por outro lado seria a luz que nos guiaria na escalada.
        Preparámos as mochilas e o equipamento... 1h30 da manhã acordei e fui ver a Montanha... Perfeito... Vento Sul fraco, a Lua a refletir a sua luz naquela encosta idílica... Acordei a minha querida esposa e a nossa filhota, para a realização de mais um dos seus sonhos. Já a tinha preparado psicologicamente para a escalada, explicando todas as suas dificuldades. Ela dizia-nos "A vontade move montanhas"!
7h00 - Cratera do Vulcão
        Rumámos ao sopé da Montanha e iniciámos a escalada às 3h00 da manhã! Uma escalada com quase 5 quilómetros de extensão, mas com os zigue-zagues, a procurar o melhor caminho, ultrapassa em muito essa distância. De bordão na mão lá fomos devorando a escalada, lentamente, muitas vezes de "tração às 4"! Apenas acendíamos as lanternas, para ultrapassar os obstáculos que estavam na sombra, pois a Lua nunca nos abandonou. Às 7h00 da manhã, estávamos na "varanda" norte da Cratera a contemplar o nascer do Sol, com vista para Santa Luzia e para as Ilhas do Faial, São Jorge e Graciosa (a Terceira estava completamente forrada de nuvens). Por detrás de nós e da Montanha, lá bem em baixo, desde a freguesia de São Mateus e dando a volta pela costa Sul até à Prainha do Norte, um manto cerrado de nuvens cobria a montanha até ao horizonte. Faltava-nos o último desafio... escalar o Piquinho e atingir o ponto mais alto de Portugal. Escalámos pela escarpa norte, entre piroclastos e enormes aglomerados de calhau solto. Entretanto um leve nevoeiro aproximou-se... No meio do nevoeiro surgiu o Espírito da Montanha, envolto por um arco iris! Veio nos cumprimentar e agradecer a nossa presença! Não era mais do que uma ilusão ótica (das muitas que já vi aquando das muitas escaladas que fiz ao Pico), provocada pela refração da luz solar (por detrás de nós), que projetava a nossa sombra no leve nevoeiro. Estávamos separados por alguns metros e cada um de nós apenas conseguia ver e fotografar a sua sombra... o seu espírito... Era o espírito de cada um de nós que nos falava! Era o Espírito da Montanha que estava dentro de nós!
O Espírito que nos Acompanhou
        Pé após pé, braço após braço, lá chegamos ao topo deste pedaço de Mundo! Tínhamos chegado...! Estávamos no meio do calor das fumarolas, com o cheiro a enxofre, a contemplar aquela enorme cratera com cerca de 700 metros de diâmetro e uma imensidão de mundo em nosso redor! Comemorámos com um forte abraço! Ainda fizemos, lá bem no topo uma Cache e completámos um desafio do Geocaching.com, com a foto de um "vôo da águia"!
Início da Descida
        10h00 iniciámos a descida, sempre acompanhados pelo Espírito da Montanha do Pico. Foi uma descida lenta e de contemplação, com um Céu Azul fantástico sobre nós. As nuvens começavam a cercar o Pico do lado Norte e do lado Sul, no entanto aquele corredor de Céu Azul mantinha-se aberto até ao nosso destino! Coincidência ou não, sorte ou não, ao arrumarmos o equipamento e entrarmos no carro, aquele corredor fechou-se de nuvens e começou a chover torrencialmente! O Espírito da Montanha do Pico, acabara de nos deixar! Obrigado por esta viagem fantástica, pois desde o dia 6 de Agosto (dia da Escalada) nunca mais vimos a Montanha e para os próximos dias as previsões meteorológicas são pouco animadoras.
Início da Escalada a partir das Furnas


Piquinho à Chegada
Varanda Norte da Cratera. São Jorge e Graciosa ao Fundo.

Faial ao Fundo.
Costa Norte da Ilha do Pico
Escalando o Piquinho
Descida do Piquinho (lado Sul).
Desafio "Geocaching.com": "Foto do Vôo da Águia no Topo".
Descendo do Piquinho para a Cratera.

domingo, 17 de junho de 2012

Está na Hora!

        Está na hora de provar a incompetência do governo anterior em termos de políticas educativas! Está na hora de utilizar os nossos alunos e os professores como as marionetas do sistema! Tem sido assim, ao longo dos últimos governos a gerir o nosso querido país! O Sistema Educativo tem sido um enorme tubo de ensaio das políticas educativas, onde todos os elementos da comunidade educativa são utilizados como cobaias, em especial os alunos e os professores. O padrão desta experimentação nada tem de coerência e de método científico.
        4 anos de governação. Porque alguém teve um orgasmo intelectual, urge cortar com todas as políticas educativas e começar de novo. Uma política educativa de longo prazo, sustentada numa evolução que pode demorar décadas a dar os seus frutos, é completamente descartada. É como lançar uma semente à terra ... ainda estão a sair os primeiros rebentos... e opta-se por destruir essa planta e lançar novas sementes... Andamos nisto há décadas (na educação e em todos os setores)! Nunca chegamos à fase da frutificação. Pior do que isso, Portugal nunca chega a crescer, nunca chega a ser autotrófico, com capacidade de realizar fotossíntese e ser autosuficiente!!! Depois, meus amigos, se não frutifica, não dá sementes... e perde toda a sua capacidade de se regenerar! Reformas e mais reformas. Todos querem deixar marca e provar que o seu antecessor estava errado! Nunca existe uma transição de governo com cooperação!
        Está na hora.... Está na hora de provar, mais uma vez ... Está na hora dos exames nacionais e provas de aferição (Provas Finais)! Tornou-se padrão, nos primeiros anos de mandato de um governo, fazer provas com um grau de dificuldade enorme para os nossos alunos. Pretende-se provar, que esses maus resultados são consequência das más políticas educativas do último governo (e não tenhamos dúvidas que também o são)... Esse grau de dificuldade dos exames vai diminuindo até ao 4º ano de mandato, pois aqui interessa demonstrar que afinal as políticas vigentes são as mais válidas. Será tão bom saber, lá para o ano 2015, que, por exemplo os nossos alunos têm melhor desempenho escolar, inseridos em turmas de 30 alunos (como é proposto pelos nossos governantes)! Será tão bom saber que, em 4 anos, os nossos alunos e o Sistema Educativo, atingiram níveis de sucesso como nunca antes vistos! Passamos a ser tão bons em apenas 4 anos e de repente, com um novo governo, num ano tudo se desmurona!!! Ninguém quer ir à origem dos reais problemas, já descritos em muitos dos posts do meu blog! Mais currículo, menos currículo; mais disciplinas teóricas, menos disciplinas práticas .... Umas vezes mais... umas vezes menos... A verdade é que cada vez temos menos, muito menos EDUCAÇÃO! Cada vez temos menos, muito menos Portugal! E assim vai o nosso País!