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terça-feira, 10 de abril de 2012

CARTA DE AMOR

         Hoje, uma amiga e colega, partilhou a seguinte carta. Foi escrita por uma jovem do concelho onde resido e leciono. Não poderia deixar de partilhar, neste meu cantinho, este grito de amor, esta dor, esta homenagem...!

"CARTA A PROFESSORES, ALUNOS, PAIS, GOVERNANTES CIDADÃOS E QUAISQUER OUTROS QUE POSSAM SENTIR-SE TOCADOS E IDENTIFICADOS"
                                                        Por Sara Fidalgo, Sexta feira, 9 de março de 2012 às 11:21

        "As reformas na educação estão na boca do mundo há mais anos do que os que conseguimos recordar, chegando ao ponto de nem sabermos como começaram nem de onde vieram. Confessando, sou apenas uma das que passou das aulas de uma hora para as aulas de noventa minutos e achei aquilo um disparate total. Tirava-nos intervalos, tirava-nos momentos de caçadinhas e de saltar à corda e obrigava-nos a estar mais tempo sentados a ouvir sobre reis, rios, palavras estrangeiras e números primos.
        Depois veio o secundário e deixámos de ter “folgas” porque passou a haver professores que tinham que substituir os que faltavam e nós ficávamos tristes. Não era porque não queríamos aprender, era porque as “aulas de substituição” nos cansavam mais do que as outras. Os professores não nos conheciam, abusávamos deles e era como voltar ao zero.
        Eu era pequenina. E nunca me passou pela cabeça pensar no lado dos professores. Até ao dia 1 de Março.
       Foi o culminar de tudo. Durante semanas e semanas ouvi a minha mãe, uma das melhores professoras de Inglês que conheci, o meu pilar, a minha luz, a minha companhia, a encher a boca séria com a palavra depressão. A seguir vinham os tremores, as preocupações, as queixas de pais, as crianças a quem não conseguimos chamar crianças porque são tão indisciplinadas que parece que lhes falta a meninice. Acreditem ou não, há pais que não sabem o que estão a criar. Como dizia um amigo meu: “Antigamente, fazíamos asneiras na escola e quando chegávamos a casa levávamos uma chapada do pai ou da mãe. Hoje, os miúdos fazem asneiras e os pais vão à escola para dar a dita chapada nos professores”. Sim, nos professores. Aqueles que tomam conta de tantos filhos cujos pais não têm tempo nem paciência para os educar. Sim, os professores que fazem de nós adultos competentes, formados, civilizados. Ou faziam, porque agora não conseguem.
         A minha mãe levou a maior chapada de todas e não resistiu. Desculpem o dramatismo mas a escola, o sistema educativo, a educação especial, a educação sexual, as provas de aferição e toda aquela enormidade de coisas que não consigo sequer enumerar, levaram deste mundo uma das melhores pessoas que por cá andou. E revolta-me não conseguir fazer-lhe justiça.

        Professores e responsáveis pela educação, espero que leiam isto e acordem, revoltem-se, manifestem-se (ainda mais) mas, sobretudo e acima de qualquer outra coisa, conversem e ajudem-se uns aos outros. Levem a história da minha mãe para as bocas do mundo, para as conversas na sala dos professores e nos intervalos, a história de uma mulher maravilhosa que se suicidou não por causa de uma vida instável, não por causa de uma família desestruturada, não por dificuldades económicas, não por desgostos amorosos mas por causa de um trabalho que amava, ao qual se dedicou de alma e coração durante 36 anos.
        De todos os problemas que a minha mãe teve no trabalho desde que me conheço (todos os temos, todos os conhecemos), nunca ouvi a palavra “incapaz” sair da boca dela. Nunca a vi tão indefesa, nunca a conheci como desistente, nunca pensei ouvir “ando a enganar-me a mim mesma e não sei ser professora”. Mas era verdade. Ela soube. Ela foi. Ela ensinou centenas de crianças, ela riu, ela fez o pino no meio da sala de aulas, ela escreveu em quadros a giz e depois em quadros eletrónicos. Ela aprendeu as novas tecnologias. O que ela não aprendeu foi a suportar a carga imensa e descabida que lhe puseram sobre os ombros sem sentido rigorosamente nenhum. Eu, pelo menos, não o consigo ver.
        E, assim, me manifesto contra toda esta gentinha que desvaloriza os professores mais velhos, que os destrói e os obriga a adaptarem-se a uma realidade que nunca conheceram. E tudo isto de um momento para o outro, sem qualquer tipo de preparação ou ajuda.
        Esta, sim, é a minha maneira de me revoltar contra aquilo que a minha mãe não teve forças para combater. Quem me dera ter conseguido aliviá-la, tirar-lhe aquela carga estupidamente pesada e que ninguém, a não ser quem a vive, compreende. Eu vivi através dela e nunca cheguei a compreender. Professores, ajudem-se. Conversem. E, acima de tudo, não deixem que a educação seja um fardo em vez de ser a profissão que vocês escolheram com tanto amor.
        Pensem no amor. E, com ele, honrem a vida maravilhosa que a minha mãe teve, até não poder mais. 
                                                                                                                     Sara Fidalgo

 P.S. - Não posso deixar de agradecer a todos os que nos ajudaram neste momento de dor *"

sexta-feira, 16 de março de 2012

Memórias Vivas...

        Ao longo da minha curta carreira enquanto "blogger" (Pouco mais de 4 meses), tenho reavivado muitas das minhas memórias que estão guardadas algures, desde os meus tempos de infância. As melhores memórias foram aquelas em que o tempo e o espaço abraçaram a família. Amo muito toda a minha família. Amo todos os que estão entre nós. Amo todos aqueles que têm a sua inscrição na minha memória genética, mesmo os que nunca cheguei a conhecer. Cada família é uma História de Amor. Cada história está escrita nos corações de cada membro na família. Infelizmente o olho humano foi feito para tudo ver e por vezes tem muita dificuldade em ver o coração (o do próprio e o do próximo). Tende a ver o acessório e o que nada interessa para a vida! Tende a valorizar coisas e sentimentos sem interesse! Se cada um de nós fizer um "pequenito" esforço para ver a História de Amor que vai em cada um dos nossos corações, a alma reajustar-se-á ao corpo (deixando de pairar) e a vida volta a fazer sentido com verdadeiros sentimentos... com Amor!

        Hoje recebi uma mensagem de minha Tia Sãozinha. Enviou-me uma série de fotografias que me fizeram abrir o "meu livro" das "Histórias de Amor" da família e ilustram muitos dos meus "posts":

http://serounaoserverdade.blogspot.com/2012/02/magia-debaixo-da-rocha.html




 http://serounaoserverdade.blogspot.com/2011/12/uma-prisao-inocente.html



Outras fotos da História de Amor da minha Família e que ilustram muitas das minhas memórias lançadas neste Blog.







segunda-feira, 12 de março de 2012

Educar: Aos Olhos de Rubem Alves

         Muitas pessoas têm me dado alento e orientado na minha caminhada pela Educação. Os alunos têm sido os principais protagonistas, contudo tenho aprendido imenso com os meus colegas e com outros adultos que amam a Educação. Enquanto professor, tive a sorte de me cruzar fisicamente com dois dos meus mentores. São eles Rubem Alves e Augusto Cury. Foram dois encontros espetaculares. Recordo-me do meu amigo Paulo Cafôfo falar com emoção, sobre o prazer que teve em estar, em sua casa, sentado no seu sofá, à conversa com Rubem Alves.
        Deixo-vos com este pequeno vídeo com frases deste grande mestre e pensador.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"A Vida Me Ensinou..."

       
        Charles Spencer Chaplin, conhecido por Charlie Chaplin (16/04/1889 a 25/12/1977). Trouxe muito mais alegria ao nosso Planeta, provocando o sorriso a milhões de pessoas em todo o Mundo, através da 7ª arte.
        Deixou-nos muitos "marcos" que nos indicam o caminho para o nosso interior, através dos seus pensamentos. Fica aqui um pedacinho desse testemunho: "A Vida Me Ensinou"...




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os Jovens de Hoje Já Não Têm Educação?

            1) "A nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, goza com a autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus."

        2) "Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder, porque essa juventude de hoje é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível."

        3) "O nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais os seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe."

       4) " Essa juventude está estragada até ao fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura."

        Provavelmente, todos os leitores adultos que acabaram de ler estas últimas frases, poderiam um dia ter feito estas afirmações, ou, no mínimo, as considerar muito atuais, certo? O mais curioso é que estas afirmações já foram feitas há alguns aninhos atrás e não foram apenas os nossos pais e os nossos avós que as poderiam ter proferido. Foram citadas no início de uma conferência por um médico inglês Ronald Gibson, com a concordância de toda a plateia. A admiração surgiu quando o médico referiu a origem dessas afirmações. Vejam só as datas de cada uma delas:
        1) A primeira é de Sócrates (470-399 anos a.C.);
        2) A segunda é de Hesíodo (720 a.C.);
        3) A terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C.);
        4) e a quarta estava inscrita num vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilónia e tem mais de 4000 anos de existência.

       Depois de ler estas frases, revejo-me muitas vezes a dizer estas palavras, provavelmente num ato de inconsciência ou de uma inscrição genética que se manifesta quando atingimos a idade adulta. Geração após geração, esta "lamúria" tem andado de boca em boca, como se de um conflito de gerações se tratasse.  Parece que estamos a culpabilizar os nossos jovens... parece que são os tempos de hoje que provocaram alterações comportamentais das nossas crianças e jovens. Na realidade, o fator "tempo em que vivemos", nada tem a ver ... e a prova disso é que há muitos milénios que o Homem anda a dizer estas coisas... Será o fator tecnologia? Também não... embora possa ser mais um instrumento que, mal utilizado ou utilizado sem controlo, pode potenciar essas alterações de comportamento...
        De repente surge-me outra citação bem antiga, desta vez de Pitágoras, esse grande matemático grego que viveu entre os anos de 571  e  496 a.C:  "Educai as crianças, para que não seja preciso castigar os adultos"! Para mim, os grandes responsáveis pela falta de educação dos nossos jovens, somos nós adultos... Eu não imagino nem acredito nas crianças entregues a si próprias em busca da sua educação. Falo daquela educação básica e estruturante que qualquer filho deve trazer de casa de forma a poder encarar a vida em sociedade, respeitando-se a si próprio e respeitando os outros. Toda a criança que cresce sem conhecer o amor e sem conhecer limites, torna-se numa criança potencialmente perigosa para si e para os outros, sendo uma "peça" que poderá não encaixar no "puzzle" chamada sociedade! Quantos e quantos pais, desabafam comigo enquanto professor, e dizem "Já não sei o que poderei fazer mais pelo meu filho!". Chegando à puberdade, o adolescente necessita de marcar a sua posição e criar o seu bocadinho de mundo, precisa de uma identidade... Se os modelos que demos até então, não foram baseados no amor e nos limites, meus amigos... a vida tornar-se-á muito mais difícil para os filhos, para os pais, para os professores... podendo aquele bocadinho de mundo perder toda a sua cor, todo o seu brilho...
        Às vezes penso... poderei estar a falar de amor e este assumir diferentes conceitos para cada amigo leitor. M. Scott Peck, no livro "O Caminho Menos Percorrido" define AMOR como "a vontade de expandir o Eu com o objetivo de alimentar o seu próprio desenvolvimento espiritual ou o de outrem"... "o AMOR é uma ação, uma atividade... não é um sentimento." ... "é o meio para a evolução espiritual humana" ... " o que fornece o motivo, a energia para a disciplina".... O facto de Peck definir o Amor como uma ação, faz todo o sentido... No caso de uma mãe e de um pai, o sentimento de amor pelo filho é (deveria ser) um facto desde que este é concebido. Depois vem a ação, o verdadeiro AMOR, a verdadeira prova. Por outro lado, e como exemplo, nós professores... quantas vezes recebemos uma turma nova... não temos qualquer sentimento de amor por aqueles adolescentes (que ainda desconhecemos), mas agimos com amor..? O equilíbrio entre o AMOR do SIM (carinho, afetividade) e o AMOR do Não (do estabelecimento de limites), é algo que se vai conquistando, sendo muitas vezes, numa primeira fase, importante os alunos conhecerem os limites (quando em casa não os houve ou houve em excesso), para aos poucos chegarmos ao AMOR do SIM, do abraço, da partilha de AMOR como uma ação, como um intercâmbio, como uma construção mútua.
        Muitos acham que dizer sempre SIM, dar bens materiais, apenas facilitar a vida a uma criança é a melhor forma de amar! Não... por vezes temos de dizer NÃO, mostrarmos os limites, nem que para isso tenhamos de nos zangar e quem sabe, dar "um puxão de orelhas", numa situação limite! Este ano, tenho dado aos meus alunos, o exemplo daqueles pescadores da "Virgem do Sameiro" que estiveram à deriva no mar, numa balsa salva vidas, cerca de 57 horas. Num ato de desespero e de histeria, um dos pescadores quis se atirar ao mar. O Mestre, teve de recorrer à forma mais cruel da condição humana (a violência) e à força para o demover. Teve de lhe pregar uns estalos e amarrá-lo com uma corda... teve de o privar da liberdade... Para quê?... "Não queria perder aquele Homem". Sabia que se o deixasse ir... era uma vida que se perdia! Foi preciso um NÃO (neste caso cruel) para que o SIM, o SIM à vida e ao AMOR, não terminasse ali! Este é um ato de amor... que não vem nos compêndios e que provavelmente, algum desses doutores de craveira repugnaria. Deixavam-no ir? Era?  Penso que todo aquele que tem um mínimo de honestidade intelectual, percebe que com este exemplo não digo que AMOR é violência... O que quero dizer é que AMOR, por vezes, também é uma acto de impor limites a uma criança, nem que para isso seja necessário "bater o pé". Eles precisam tanto deste amor como o amor de uma abraço! É imprescindível o equilíbrio entre ambos...  Se os deixarmos crescer ... sem conhecerem o AMOR e os Limites inerentes ao mesmo, um dia poderão ser forçados a conhecê-los de algemas em punho! Infelizmente, é assim que está organizada a sociedade... e não há que fingirmos e fazermos de conta que o Amor são apenas as corolas de  um "mar de rosas", pois essas rosas têm um cálice que une todas as pétalas que, por sua vez, está seguro por um pedúnculo e por um caule. Deste caule brotam espinhos e não há que os escondermos dos nossos filhos, dos nossos alunos. O AMOR não é apenas a rosa... é toda a roseira, culminado no fortalecimento da sua raiz.
        Dá-me imenso prazer encontrar ex-alunos e partilharmos histórias dos momentos que passamos juntos... Por vezes, embora me custe muito, tenho de ser "durinho" para com os meus queridos alunos. Até hoje, e passados uns anos, todos agradecem-no. Um desses ex-alunos (da turma percurso curricular alternativo 2007-2009 - ver post http://serounaoserverdade.blogspot.com/2011/12/acreditar-nos-sonhos.html) deixou, na minha caixa de "Facebook" a seguinte mensagem, a qual registei como mais um ato de Amor: "O verdadeiro amigo não é aquele que diz sempre sim a tudo o que queremos ouvir. O verdadeiro amigo é aquele que se impõe ao que acha errado. Obrigado por tudo stor". J.G.
        O AMOR, a Educação Básica, começa na família. O Ato de AMOR deve existir entre todos os  elementos da família e, como exemplo, a começar no casal - pai e mãe (quando a criança tem a sorte de ter uma família estruturada). Kahlil Gibran em "O Profeta" diz, relativamente ao amor de um casal:

        "Mas que haja espaços na vossa união, e que os ventos dos céus dancem entre vós.
        Amai-vos um ao outro, mas não façam do amor um elo.
        Deixem-no antes ser um mar que se move entre as praias... das vossas almas.
        Encham a taça um do outro mas não bebam só duma taça.
        Dêem do vosso pão um ao outro mas não comam... do mesmo pão.
        Cantem e dancem juntos e alegrem-se, mas deixem que cada um esteja só, tal como as cordas de uma harpa estão sós embora vibrem com a mesma música.
        Dêem os vossos corações, mas não para que cada um os guarde.
        Porque só a mão da Vida pode conter os vossos corações.
        E mantenham-se juntos, mas não demasiado próximos: porque os pilares do templo estão afastados; e que o carvalho e o cipreste não cresçam na sombra um do outro."

        Estas palavras de Gibran, adaptam-se a meu ver, a quaisquer que sejam os elementos de um agregado familiar...

        Termino este post com um poema, que a minha tia Sãozinha guardou "religiosamente" e me enviou há dias, que eu escrevera e fora publicado num jornal, quando tinha 14 anos... Não é nada de especial é apenas um poema sobre o AMOR:

        "VALERÁ A PENA?"

       "Valerá a pena?
         Talvez não,
         Talvez sim!
         Tudo depende do coração!

        É o olhar,

        É o sorriso...
        É sonhar
        E tudo o que for preciso!


       Com certeza que sabem do que falo.
       Não é gostar,
       Não é pobreza, nem riqueza...
       Mas Sim, Amar!"

sábado, 7 de janeiro de 2012

Queridos Pais

       Os anos vão passando... Crescemos... Quando damos por nós, uma alegria imensa invade a nossa vida ao sermos pais. Começamos a valorizar, muito mais, tudo o que recebemos dos nossos pais, a começar pelo Amor.
        Cada dia que passa, olhamos para trás... Mergulhamos nas nossas origens... Recordamos todos os momentos que passamos com o nosso querido Pai e com a nossa querida Mãe. Biologicamente, todos os têm! Na vida e de coração, nem todos têm ou tiveram a sorte de os ter! Muitos encontraram os pais noutros familiares ou em pessoas que não partilham a consanguinidade! Outros nunca chegam ou chegaram a sentir o amor de uma Mãe, o amor de um Pai. Sou um dos felizardos do nosso planeta ...
       Tudo o que sou devo ao meu Pai e à minha Mãe. Meus pais vivem e sempre viveram para os filhos. Nos meus primeiros passos ensinaram-me a caminhar. Deram-me a mão e guiaram-me pelos caminhos que não me levavam ao precipício. Fui crescendo... fui tomando consciência do mundo onde vivo. Já consciente das minhas pisadas, mostraram-me todos os caminhos, mesmo aqueles que me poderiam levar ao abismo. Não me barraram nenhum. Aconselharam-me ... contaram as experiências das caminhadas feitas (por eles) por muitos desses caminhos (os difíceis e os fáceis). Enquanto jovem, na idade da "parvalheira", quando temos a mania que somos donos do mundo e quando o nosso ego finge não ouvir 90% dos conselhos dados pelos pais, lá pisava aquele caminho mais arriscado... Felizmente, aprendi com os meus pais, quais os meus limites e até onde poderia ir! Nos sonhos... ensinaram-me que não existem limites!
        Meus pais sempre conseguiram um extraordinário equilíbrio no Amor que partilharam com os seus filhos. Uma mão sempre pronta para dar todo o carinho que um filho pode ter, outra mão para dizer não (as 2 formas de amor que toda a criança precisa). Realizaram o sonho de dar estudo aos filhos. Realizaram o sonho de lhes dar todas as ferramentas para enfrentar a vida e os obstáculos que ela nos apresenta! Obrigado por tudo!
        Uma vida passa... um amor enorme cresce e brota na relação pais-filhos. No entanto, enquanto jovens e mesmo depois de adultos, raramente ou nunca dizemos o quanto os amamos. Penso que todos passam por isso. Todos, um dia, arrependem-se por uma vida ter passado e nunca o terem dito. É algo muito estranho...
        Na vida cortam-nos o cordão umbilical duas vezes. Uma primeria vez à nascença e outra quando saímos da casa de nossos pais.  No segundo corte, a vida obrigou-me a não viver permanentemente e fisicamente perto dos meus pais. Por isso, vivo intensamente cada momento que estamos juntos. Todos que têm a sorte de viver (fisicamente) sempre perto dos seus pais, valorizem-no!!! Amem-nos... Retribuam  todo o amor (nunca o vamos conseguir) que tiveram a sorte de ter! 
        Meus queridos pais, dou graças a Deus por vos ter escolhido para serem meus pais. Meus queridos pais, amo-vos muito... por tudo aquilo que são... por tudo aquilo que me deram!

Ficam aqui dois vídeos. Um é um tributo aos meus pais, o outro para ... refletirmos...


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Meu Pai Natal

       Natal... Noite mágica! Noite da Família ... noite de coisas boas que nos enchem a alma! Até aos meus 11 anos sempre acreditei no Pai Natal. Meus pais conseguiram manter essa magia, arranjando mil e uma artimanhas para tudo parecer real. Lá vêm alguns teóricos dizer que não se faz isso às crianças... tretas e mais tretas... Ser criança é isso mesmo... é viver num mundo da magia, do sonho, da inocência e da fantasia, onde o Mundo real passa todo ao lado. E... ainda bem que assim é ... a brincar é que uma criança descobre e experimenta, para um dia poder transformar o seu Mundo, o Mundo real! Poderão experimentar mil e uma profissões, poderão ser aviadores, poderão conduzir um ferrari ... tudo é possível em criança! Seria tão bom que todas as crianças tivessem a oportunidade de ser crianças e de não se tornarem adultas tão cedo!
        Hoje, com muita saudade, recordo o meu Pai Natal... Este ano é o meu primeiro Natal sem ter a sua presença física no nosso Mundo, a presença do meu  querido Pai Natal. Todos os anos, e enquanto o Alzheimer não se apoderou do seu cérebro, vestia aquele fato (feito por ela) e se disfarçava num Pai Natal real. Umas grandes barbas brancas, botas e cinto largo preto, barrigudo, óculos de sol, um guizo que tocava incessantemente, e aquele Oh! Oh! Oh!, eram os únicos vocábulos de alguém que vinha  de muito longe, com outra língua, mas deixava transparecer, naquelas rosadas maçãs do rosto, uma alegria imensa! Vinha todos os anos deliciar e encantar o Natal dos seus netinhos.
        Todos que a conheceram, tinham-lhe um grande carinho. A vida nunca lhe foi fácil... Ficou viúva com duas filhas menores (uma com 1 ano de idade). Com muitas terras e gado para tratar, tudo fez para que nada faltasse às suas filhas! Sozinha, enfrentou a vida sempre com aquele sorriso! Não havia alma que passasse a sua casa ou adega, que não entrasse para ser brindado com angelica (bebida tradicional do Pico) ou um dos seus licores. Amiga de todos e um coração que extravasava em muito o seu corpo! Mesmo depois de eu descobrir quem era o meu Pai Natal, para mim era sempre aquele Pai Natal misterioso que para além daquelas prendas (que raramente sabia para quem eram, provavelmente pelo efeito do Alzheimer ), enchia toda a casa com o seu Amor.
        O meu Pai Natal é, nada mais nada menos, que a minha querida Avó Luzia (Luzia Menezes de Lima), conhecida pela Luzia do Urbano! Partiu no dia 18 de Maio de 2011. Apenas deixamos de ter presente o seu lindo rosto... pois ela vive todos os dias nas minhas filhas, vejo-a na minha mãe, sinto-a em mim! Uma saudade imensa ... mas, uma coisa é certa: Avó, serás sempre o Meu Pai Natal, serás sempre o Pai Natal dos teus netos e  bisnetos... e estarás sempre presente nas nossas vidas enquanto o Natal existir! Um Feliz Natal a Todos!

NATAL 1976 (Yonkers, Nova Iorque)
Fotos Editadas e Oferecidas por Maria da Rosa (Tia Sãozinha)
        

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Os Espinhos que Temos em Nós

        Não há que duvidar... todos nós, seres humanos, temos espinhos que picam as pessoas mais próximas. Por serem as mais próximas, muitas vezes são aqueles que mais amamos. A vida torna-se num desafio... Como nos mantermos chegados sem nos ferirmos uns aos outros?... Muitos não o conseguem encarar como um desafio... não conseguem ver que por debaixo daquela carcaça de espinhos existe um mundo a descobrir... existe uma fonte inesgotável de Amor.
        Por estarmos a nos aproximar do Natal, um momento de reflexão por excelência, onde muitos têm a oportunidade e a sorte de estar junto da família, por vezes conseguimos desfocarmo-nos dos espinhos e olharmos para o nosso interior... para o interior do próximo. Façamo-lo durante o ano inteiro... busquemos ajuda à Natureza e aos seres ditos "irracionais": 

FÁBULA DA CONVIVÊNCIA