sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O Campeão Nacional de SuperCross - Sandro Peixe - Está Connosco (CV-TVR)

        Alcançar o sucesso, chegar ao Topo de uma Montanha, ser Campeão não é possível sem muito espírito de sacrifício e sem os valores do Trabalho, da Verdade e do Respeito (TVR) por si e pelos outros! Superar-se a si todos dias é a nossa grande batalha, pois o nosso grande adversário e o único inimigo que nos acompanhará sempre, será a nossa Mente. Quem encarar a vida com o principal intuito/ideia/objetivo de “ser melhor” do que os outros, nunca chegará longe, nunca saboreará momentos de glória. Viverá à sombra daquele que “luta” para se superar, viverá obcecado por ser melhor… Perderá energias a comparar-se, correndo o risco de despertar um dos mais feios sentimentos da humanidade (a Inveja)… Esquecerá que é um Ser Único, não havendo comparação possível com mais ninguém! Preocupar-se-á apenas em trabalhar a sua imagem, com base naquilo que agrada os outros… Esquecerá que o Coração é o ponto de partida (do interior e nunca do exterior)… Esquecerá de partir do Silêncio e não do Espetáculo… Começara a esconder a extraordinária pessoa que vive dentro de si, começando a tapar essa Pérola! Cada um de nós tem uma missão Única a cada dia que passa!
       Este Ano, temos um “Ser Humano” extraordinário que nos apadrinhará! Alguém que tem o prazer de Ser diariamente a Pessoa que É ! Alguém que se supera a si todos os dias! Não vive para a imagem, tendo o silêncio como regra de ouro para se superar! Vive mesmo aqui, a 5 ou 6 kms de distância e poucos ouvem falar dele! A sua simplicidade e verdade com que encara a vida, os ensinamentos do seu Pai (antigo campeão de motocross), os valores familiares com que cresceu, tornaram-no apenas no Campeão Nacional de Supercross e da classe MX2. O seu nome é Sandro Peixe!
Foi aluno da nossa Escola. Foi sempre um aluno de topo. Foi sempre um aluno completo, brilhando em todas as áreas. Se tinha dificuldades numa disciplina, intensificava o Trabalho para as ultrapassar. Nunca desistiu da luta para se superar! Nunca desistiu depois de uma queda! Recordo-mo do Sandro no 6º Ano de escolaridade… Conciliava a Escola com uma atividade muito exigente física e mentalmente – o Motocross. Num acidente de moto teve fraturas em ambas as pernas… Faltou 3 meses às aulas… Mas, logo que conseguiu erguer a cabeça, voltou à Escola… com as duas pernas partidas… No final de uma aula disse-me: “Professor, faltei a algumas aulas suas. Perdi alguma matéria. Pode-me ajudar e explicar um pouco aquilo que perdi.” Admirava-o (como o admiro hoje) já pela pessoa que era, pelo Respeito enorme com que encarava a vida, a si e o próximo. Admirava-o pelo seu silêncio e atenção. Admirava-o por saber responder sempre a qualquer pergunta que lhe fizesse! Todos os professores do Sandro testemunharam o brilhar deste ser Genuíno, sem máscaras… Todos testemunharam a Verdade!
Hoje o Sandro continua a Estudar… Está na Universidade. Nunca desistiu dos seus sonhos! É Campeão Nacional de Supercross e MX2! É uma grande Referência para todos nós por ser um verdadeiro exemplo TVR (Trabalho, Verdade e Respeito)! Não direi que é um Modelo, pois um Modelo não é mais que alguém ou um original a partir do qual fazemos cópias! Queremos que cada um dos 24 alunos da turma seja um Original! Que continuem a procurar respostas para a pergunta que lançámos a no passado (“Quem Sou Eu?”)! Queremos 24 pérolas no final do Curso, cada um com o Seu Brilho! 
        5ª Feira dia 17 de setembro estaremos com o Sandro onde teremos a oportunidade de conhecermos os passos para se chegar a Campeão. Teremos várias motos e conheceremos o respeito que devemos ter ao sentarmo-nos num veículo de duas rodas e todas as questões de segurança que nunca devemos desprezar. 
        Obrigado Sandro Peixe, por abraçares este Projeto e por dares a oportunidade de partilhar connosco os ensinamentos que a vida te deu. Obrigado Campeão!



terça-feira, 11 de agosto de 2015

"FÉRIAS" - Meu Porto de Abrigo

29 de julho - Navio Escola Sagres
ao largo do meu Porto de Abrigo
        A minha vida é feita de viagens que a Mãe Natureza determinou como sendo cíclicas e anuais. Em cada setembro levanto velas  e deixo-as levar minha barcaça para mais uma missão de 11 meses. Todos nós temos a nossa barcaça... o nosso "pedacinho de mundo"... a nossa missão. Contudo, a missão só faz sentido pela existência de todas as barcaças que me rodeiam. Se o Mar fosse só meu, a solidão seria um real Adamastor que me devoraria num ápice. O sucesso de cada missão reside na diferença de cada barcaça, no respeito pelas diferenças e no reconhecimento da importância e na interdependência das mesmas, para um todo... para um Mundo Global melhor. Cada um de nós deve preparar minuciosamente cada viagem, dando o melhor de si, nunca tendo por base a competição, mas tendo consciência que o melhor de si é o melhor de todos. Dependemos todos uns dos outros. Se eu falhar, se eu não fizer a minha parte, com toda a certeza que porei em causa o trabalho de outros... porei em causa o bem comum... É impensável eu colocar a hipótese de deixar que alguém perca energias com aquilo que é a minha missão, pois na vida, por muitas vezes, temos de sair da nossa barcaça e pegar na roda de leme de outras embarcações. A imprevisibilidade da vida muitas vezes obriga-nos a ajudar quem está em dificuldades na sua missão, mas é inconcebível alguém fazer o nosso trabalho, porque nos demitimos do mesmo ou não nos preparamos convenientemente para a nossa viagem.
       A experiência da vida dá-nos ferramentas para antever problemas e para os solucionar. Por outro lado, os janeiros retiram-nos a energia da juventude, mas o equilíbrio da Mãe Natureza compensa a sua falta (de energia), com as ferramentas que vamos adquirindo. Navegar em mar alto é sempre um grande desafio... Aproar a embarcação às ondas de uma tempestade de noroeste, dá-me um prazer do caraças! É a adrenalina que é descarregada nas veias... Acreditando que a minha viagem contribui para o sucesso de alguém, nada nem ninguém me demove da mesma... Sou muito teimoso (característica dos Alferes - alcunha da família do meu avô paterno)... Nunca deixo de lutar por aquilo que acredito... Contudo, quanto maior é a minha determinação, maiores são as minhas dúvidas... Cada viagem é um risco, pois procuro sempre trilhar mares diferentes. No recolher de cada dia, ponho em causa as minhas capacidades, as minhas habilidades, o meu rumo. Ouço o sentir dos meus marinheiros... Deixo me levar pela intuição, pelo meu anjo da guarda... pelo meu São Cristóvão. Agradeço a todos pelas decisões corretas que me ajudam a tomar. O sucesso de cada decisão une o grupo... faz cada membro da tripulação ver o trabalho compensado e o saborear em grupo dos seus frutos é algo de divino!!! Transcende a condição humana!!!
       Mais uma vez, depois de uma grande viagem pelos mares da educação, no final de julho recolhi ao meu "Porto de Abrigo". São as minhas "Férias". Sim, Férias... não são mais que um "porto de abrigo" onde temos tempo para recuperar física, social, mental e emocionalmente daquela viagem por mar alto. Nas duas primeiras semanas procuro esquecer, fazer um "delete" ou um "reset" da viagem anterior. São as semanas do "nada"... Procuro o silêncio do mundo submarino... Procuro o aconchego da Família e das pessoas que mais amo e que a minha viagem afasta fisicamente... Ligo os cabos ao carregador de baterias...
7 de agosto - Despertar depois de remover
a Vesícula Biliar por laparoscopia.
        Passadas as duas primeiras semanas começo a preocupar-me (Pré-Ocupar) com a viagem do próximo ano letivo. Começo a verificar o estado do velame, do cavername, dos instrumentos de navegação... Preciso cuidar da parte física. Este ano tinha um pequeno rombo do casco. Esperei pelo meu "Porto de Abrigo" para o reparar. Parar a meio da viagem seria impensável, pois muitos dependiam de mim. "Resiliência" foi algo que meu pai me ensinou. Tive a melhor equipa de cirurgia do mundo que me ajudou. Mais uma semana e estarei fisicamente apto.
29 de julho - Formação do Capelo do Pico
      Começo a olhar os astros para relembrar as suas indicações. Começo a ouvir a brisa que vem de sul e desce a Montanha do Pico... Ouço os conselhos de Sua Majestade, o Pico... À noite ouço os cagarros a dizer que partirão comigo e me acompanharão na viagem, regressando no próximo ano. Viajo pelas minhas origens, pelos caminhos trilhados pelos meus antepassados. Procuro inspiração e a energia que os faziam revirar lava e procurar pequenas nesgas de terra para cultivar o sustento dos seus filhos. Cuido da minha Alma...

        A saudade e dor da partida por deixar para trás muitas das pessoas que mais amamos é das que mais
3 de agosto - Comemoração de 19 anos de Casamento
magoam. Compreendo-a pela imperfeição da vida. A perfeição não existe e nada é fácil. Compenso essa dor pela presença dos meus pais e dos meus familiares nas minhas ações. Procuro ser sempre fiel aos seus ensinamentos e ao seu amor. Considero-me um sortudo, pois tenho a sorte do amor da minha vida me acompanhar sempre em cada viagem. Tenho a sorte das nossas queridas filhas nos darem as mãos e partimos sempre juntos e abraçados, sem nunca nos largarmos. 
        A vida ensinou-me que não devemos ter medo de enfrentar cada missão. Não devemos ter medo do Mar, mas sim respeitá-lo. Não devemos ter medo da Mãe Natureza, mas sim respeitá-la. Não devemos de ter medo de ninguém mas sim respeitá-lo. Contudo, com o passar dos anos, existe um medo que me começa a perseguir. Talvez pela perda de algumas faculdades físicas com o passar dos anos, temo falhar nas minhas missões e condicionar a vida das pessoas que mais amo. Tenho medo de não estar presente ou falhar por algum motivo.
      Setembro aproxima-se. Estarei preparado no final de Agosto. Peço a Deus que me ajude em mais uma viagem. Não posso falhar pelas minhas filhas, pela minha esposa, pelos meus familiares e antepassados e pelos meus queridos alunos. Um boa viagem para todos!
     

sábado, 20 de junho de 2015

O Mundo Procura Líderes, Com Urgência!?


      Qualquer um pode ser Chefe. Chefes "há muitos"... É como os chapéus de Vasco Santana! Muitas variedades e feitios! Há os mandões! Há os que vibram por acharem que ser Chefe é estar uns degraus acima dos outros! Há outros que se autobajulam pelo Poder que pensam ter! Há outros que fazem figura de chefe, e lá estão para servir interesses instalados! Há outros que têm o título mas não têm rosto! Outros só têm rosto quando as coisas correm bem! Há outros que lá estão pelo estatuto... ou por mais uns trocados... Há tantos e tantos outros...
        Com tanto Chefe, tanta Autoridade Nacional e Internacional, tanto Instituto, tanta Provedoria... por mais que procure, não encontro ninguém que seja o meu Líder. Por vezes sinto-me perdido no pedacinho de Mundo que a Mãe Natureza me atribuiu à nascença. Esse pedacinho de Mundo só faz sentido quando ligado a outros pedacinhos de mundo vizinhos, e embora eu tenha como missão e o dever de estabelecer pontes, precisamos sempre de um Líder que tenha a capacidade de subir aquele degrau mais acima, para ter uma perspetiva global e a capacidade de descer ao mais baixo degrau para abraçar e ajudar quem lá está, a subir a escada da vida e a uni-lo a todos os pedacinhos de Mundo por ele liderado! Ser Líder é ter a capacidade de unir todos os membros da sua equipa, numa causa e/ou objetivo comum, respeitando cada qual como é, fazendo dessa diferença a riqueza do grupo. Cada um tem uma missão: "transformar o pedacinho de mundo que está à sua guarda" (Idália Sá Chaves). Transformar aquele pedacinho de mundo diferente de todos os outros...
        O facto de cada um de nós ter "um pedacinho de mundo" para cuidar, faz de cada um de nós um líder, nem que seja daquele pequeno quinhão de terreno. O Universo é constituído pelo infinitamente pequeno e pelo infinitamente grande. A "grandeza" de ambos os infinitos não é mensurável. A relatividade de onde nos encontramos lá no "meio desse infinito" (força de expressão, pois se é infinito para os dois lados, não existe "meio") é uma realidade que não podemos contornar. Apenas nos resta descobrir qual a nossa posição no Universo. Enquanto escrevo este "post", observo no meu quintal um carreiro de formigas todas coordenadas, uma verdadeira equipa a laborar com sentido. Certamente terão um Líder... E o que verá cada uma dessas formigas para os lados do infinitamente pequeno...? Muitas nano organizações lideradas por "alguém"? Olho o Céu, nesta dia que se prepara para ser tórrido, e vejo um bando de pombos a voar que mudam repentinamente de direção, como se fosse apenas Um... Procuro Líderes, que me façam sentir como aquela formiga ou aquele pombo... caminhando com direção... voando com sentido... com todo o ser humano que me rodeia. Infelizmente... apenas encontro a Mãe Natureza, líder de todos os seres vivos. Infelizmente, o Ser Humano parece ser aquele que teima em não reconhecer essa liderança, sendo incapaz de respeitar todo o Amor dessa Mãe, todos os seus ensinamentos, todas aquelas regras... parecendo não descansar enquanto não a depuser como a Rainha Mãe e ocupar o seu trono...
        Essa ganância e ânsia (por vezes por inveja) de mudar o pedaço de mundo que não nos foi atribuído à nascença, é uma das razões porque precisamos sempre de um Líder. A mania de interferir no trabalho do próximo, esquecendo de fazer o seu, destrói qualquer organização. Há um pedacinho de mundo que está a perder sua cor e a querer alterar a cor do "pedacinho de mundo" do vizinho. Cada "pedacinho de mundo" tem a sua cor e tonalidade e só com a vivacidade da diferença de cada uma delas, é que temos um mundo melhor. Um Líder faz acreditar cada um dos seus membros num determinado rumo, motiva cada um para brilhar na sua cor... sem nunca ter intenção de a mudar, reconhecendo-a como fundamental para o quadro "perfeito" (sei que no ser humano a perfeição não existe, mas nada nos impede de a procurar incessantemente :))! Não existem duas cores ou tonalidades iguais! Quanto mais brilhar cada uma dessas cores ou tonalidade, mais sentido terá o brilho da cor do meu pedacinho de mundo... Apenas não me posso esquecer do brilho do meu quintal, pois mais ninguém tem o poder para o transformar!
        Os nossos chefes não têm olhos para descobrir que o brilho de cada um é o brilho da sua organização. Procuram dividir para reinar. Procuram apequenar para triunfar. Procuram pintar o quadro com uma cor só (apenas a sua)! Procuram ficar em primeiro plano na foto! Líder não precisa aparecer na foto! A sua cor vê-se misturada no brilho da cor e no coração de todos aqueles que lidera! 
        Nelson Mandela é uma das minhas grandes referências de líderes humanos. Ao declamar o poema "Invictus" de William Henley, enquanto esteve preso... nunca deixou de acreditar na cor do seu pedacinho de mundo . "I am the master of my fate! I am the captain of my soul!" Uniu uma nação... onde o conflito étnico e racial roçava o pior da condição humana. Procurou em cada ser humano cada uma das virtudes, a começar pelos que mais o odiavam... Deu a conhecer a cor de cada um... cada uma das suas virtudes... Engrandeceu cada ser humano e enobreceu a sua missão! Motivou cada um para uma causa comum! Uniu todos os "pedacinhos de mundo" num só! Inspiro-me em Madiba para cuidar do meu "quintal". Aguardo os janeiros para sair da minha pequenez com a ajuda do coração e do brilho da cor da grandeza das pessoas que me rodeiam. Agradeço a todos aqueles com quem tive e tenho a sorte de me cruzar. Apenas procuramos líderes que reconheçam, respeitem e deixem engradecer cada uma das nossas cores...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Um Natal Feliz: "A Toalha Cor de Ouro e Marfim"

        "Na quadra natalícia, homens e mulheres em todo o lado reúnem-se nas sua igrejas para renovar a admiração pelo maior milagre que o mundo já conheceu. Mas a história que mais me agrada relembrar não foi propriamente um milagre. Ricos e pobres ali tinham orado e contribuído para a perfeição daquele edifício. Mas agora aquela parte da cidade já tinha visto melhores dias. Porém, o pastor e a sua jovem mulher acreditavam na sua envelhecida igreja. Sentiam que com tinta, martelo e fé poderiam pô-la em forma. Juntos, deitaram mãos ao trabalho.
        Mas, já no final de Dezembro, uma severa tempestade fustigou o vale do rio, e o golpe mais forte atingiu a pequena igreja - um pedaço enorme de estuque ensopado pela chuva, caiu na parede interior, atrás do altar. Desalentados, o pastor e a mulher limparam a sujidade, mas não puderam esconder o buraco grosseiro. O pastor olhou para ele e obrigou-se a concluir: "Seja feita a Vossa vontade!".
        Mas a sua mulher chorava: "O Natal é já daqui a dois dias!"
        Nessa tarde, o casal, desanimado, participou num leilão feito em benefício de um grupo de jovens. O leiloeiro abriu uma caixa e desdobrou, com uma sacudidela, uma elegante toalha de mesa com renda cor de ouro e marfim. Era um objeto maravilhoso, com quase cinco metros de comprimento. Mas provinha de uma era perdida no tempo. Quem daria hoje uso a tal coisa? Houve algumas, pouco convictas, licitações. Então, o pastor foi assaltado pelo que lhe pareceu uma grande ideia. Licitou-a por seis dólares e cinquenta cêntimos.
        Levou a toalha para a igreja e pendurou-a na parede, atrás do altar. Tapava completamente o buraco. E a extraordinária beleza do seu cintilante bordado lançava um delicado brilho festivo sobre o coro. Era um grande triunfo. Feliz, voltou a dedicar-se à preparação do seu sermão de Natal.
        Pouco antes do meio dia da véspera de Natal, quando o pastor ia abrir a igreja, notou uma mulher ao frio, na paragem de autocarros.
        "O autocarro só vem daqui a uns 40 minutos!", disse ele, e convidou-a a entrar na igreja, para se aquecer.
        Ela disse-lhe que tinha vindo da cidade, nessa manhã, para uma entrevista de emprego como governanta das crianças de uma das famílias ricas locais. Mas tinha sido recusada. Refugiada de guerra, o seu inglês era imperfeito.
        A mulher sentou-se num banco, esfregou as mãos e descansou. Passado um pouco, baixou a cabeça e rezou. Olhou para cima, quando o pastor começou a compor, à frente do buraco, o grande tecido com rendas cor de ouro e marfim. Ela levantou-se de repente e subiu os degraus do coro. Olhou para a toalha de mesa. O pastor sorriu e começou a contar-lhe sobre os danos da tempestade, mas ela não pareceu ouvir. Pegou numa ponta do tecido e esfregou-a entre os dedos.
        "É minha!", disse. "É a minha toalha de banquetes"! Levantou um canto e mostrou ao surpreso pastor que havia nele um monograma bordado. "O meu marido mandou fazer a toalha especialmente para mim, em Bruxelas! Não pode haver outra igual!"
        Nos minutos seguintes, a mulher e o pastor falaram animadamente um com o outro. Ele explicou que era de Viena, que ela e o marido se tinham oposto aos nazis e que tinham decidido deixar o país. Foram aconselhados a viajar separados. O marido pô-la num comboio para a Suiça e prometeu reunir-se-lhe assim que pudesse enviar as suas coisas de casa através da fronteira.
        Nunca o voltou a ver. Mais tarde, ouviu dizer que ele tinha morrido num campo de concentração.
        "Sempre senti que era culpa minha, o partir sem ele", disse. "Talvez estes anos a vaguear sejam o meu castigo!"
        O pastor tentou reconfortá-la, pedindo-lhe que levasse consigo a toalha. Ela recusou e depois foi-se embora.
        Quando a igreja começou a encher-se na Noite de Natal, era evidente que a toalha ia ser um grande êxito. Tinha sido concebida com perícia para ter o melhor aspeto à luz das velas.
        Depois do serviço, o pastor pôs-se à porta. Muitas pessoas vieram dizer que a igreja estava maravilhosa. Um homem de rosto gentil, de meia idade - era o homem que reparava relógios na zona -, tinha um ar bastante intrigado.
        "É estranho", disse ele no seu suave sotaque. "Há muitos anos, a minha mulher, que Deus a tenha, tinha uma toalha assim. Na nossa casa, em Viena, a minha mulher punha-a na mesa", e aqui ele sorriu, "só quando o bispo vinha jantar"!
        O pastor ficou subitamente muito entusiasmado e falou-lhe sobre a mulher que horas antes tinha estado na igreja. O relojoeiro, surpreendido, agarrou o braço do pastor. "Poderá ser? Ela está viva?"
        Juntos, entraram em contacto com a família que a tinha entrevistado. Então, no carro do pastor, foram até à cidade. E quando nascia o Dia de Natal, este homem e a sua mulher - separados durante tantos Natais tristes - reencontraram-se.
        O propósito feliz da tempestade que tinha feito um buraco na parede, era agora claro para todos os que ouviram esta história. E claro que as pessoas disseram que era um milagre, mas penso que concordamos que era a época deles!"

in Selecções Reader´s Digest de Dezembro de 2014 ("Publicado originalmente nas Selecções de Dezembro de 1954)

domingo, 30 de novembro de 2014

Os "Rankings" e a Escola da Fajã da Ovelha

        Ontem, a maior parte dos jornais davam principal destaque aos "rankings" das Escolas, graduando as escolas pelos resultados alcançados pelos seus alunos ao nível dos Exames Nacionais. Estes "rankings" valem o que valem, pois comparam-se realidades muito diferentes, sobretudo ao nível das diferenças sócioeconómicas de proveniência dos seus alunos. Poderá ser injusto este tipo de "rankings", contudo existem verdadeiros milagres e casos de sucesso. Lendo várias reportagens sobre os projetos educativos das escolas com maior sucesso, existe um denominador comum, assumido por alunos, pais e professores: Exigência e Muito Trabalho!!!
      Os exames nacionais avaliam conhecimentos teóricos, muitas vezes estéreis e que se desvanecerão no tempo. À primeira vista poderão parecer que pouco ou nada avaliam o aluno enquanto pessoa e cidadão, sendo este um raciocínio que muitas vezes me ocorreu! Na realidade avaliam, em parte, essa dimensão... Uma boa média nos exames nacionais, são sempre sinónimo de muito trabalho e dedicação... Não há nenhum aluno de "top", que não tenha lutado muito para conseguir essa posição. Devido às inteligências múltiplas, existem alunos que terão muitas dificuldades em lá chegar!!! Se quiserem muito, não existem impossíveis! A única receita será trabalhar muito mais, embora a tarefa pareça impossível!!! É nesse trabalho que está o sucesso!!! É no trabalho em si e não no resultado final! Aqui reside a principal injustiça de uma prova (que considero estéril para a vida) que nada respeita as inteligências múltiplas dos alunos. Não é justo comparar um aluno que tem grande capacidade de memorização, com um aluno que até não a tem, mas é muito melhor na sua inteligência prática - produtor e fazedor.
         Mais uma vez, as Escolas Particulares destacam-se! Os Pais e Encarregados de Educação pagam um serviço, mas depois exigem, aos seus filhos e à Escola, muito trabalho, para justificar esse investimento!!! Trabalho, muito trabalho... Exigência, muita exigência... Apesar de trabalhar no ensino público, já tive provas que com muito trabalho (e também com os valores da verdade e do respeito) e com o apoio das Famílias, é possível melhorarmos também nos exames nacionais, ao mesmo tempo que trabalhamos o aluno enquanto o ser humano que é!  Há dois anos tive a sorte de me atribuírem a direção de turma do 5º ano que obtivera os piores resultados nos exames nacionais do 4º ano de escolaridade da minha escola. Unindo energias e trazendo os pais a participar ativamente no processo educativo dos seus educandos, a turma terminou o 6ºano como das melhores turmas desse ano letivo na Escola, ao nível das provas nacionais!!! Foi um prazer trabalhar com estes alunos e as suas famílias, que apresentavam enormes dificuldades neste modelo educativo imposto pelo sistema! Contudo superaram-se!!! Com muito trabalho e exigência, todos juntos conseguimos!
           Há cerca de 8 anos tive de deixar, devido ao projeto de vida da minha família, um dos projetos mais gratificantes da minha vida... Chorei na despedida e hoje ainda choro, com muita saudade das pessoas que deixei para trás: colegas, alunos e suas famílias! Em 2004, estava a viver recentemente na freguesia da Fajã da Ovelha (Concelho da Calheta) e a prometida Escola EB/PE 1,2,3 da localidade estava em construção! Os alunos das freguesias do Paúl do Mar, Prazeres, Fajã da Ovelha e Ponta do Pargo seriam os seus pupilos!!! Eram conhecidos como os alunos mais fracos da sua Escola de proveniência (Escola Básica e Secundária da Calheta) e ao nível de toda a ilha eram dos que apresentavam dos maiores índices de insucesso educativo!!! Três professores queriam muito provar que era possível inverter esta realidade, criando condições para estes alunos brilharem!!! Com exigência, muito trabalho, falando sempre a verdade e respeitando o próximo, como pilares do projeto, ainda me lembro da noite que estivemos na minha casa velhinha em reconstrução, a beber uma aguardente e a alinhavar o projeto para colocar a Escola da Fajã a navegar!!! Contra todas as expectativas, apreceram estes três "artistas" na DRAE (Direção Regional de Administração Educativa) para apresentarem um projeto credível!!! Contrariámos uma possível nomeação com a qualidade daquele projeto. Pedimos desculpa a quem já estava à espera de avançar para a Comissão Instaladora! Acabámos por ser nomeados!!! Delfim Lourenço, Paulo Cafôfo e Rui Rosa!!!
        Depressa a notícia se espalhou, arregaçámos as mangas e durante 2 anos, cerca de 16 horas por dia, sem contar com o "alarme de intrusão" diretamente ligado aos nossos telemóveis, a nossa equipa foi crescendo... e quando demos por nós, tínhamos alunos, pais e professores, todos a remar para o mesmo lado!!! Os resultados dos exames nacionais do primeiro ano do projeto eram ainda desencorajadores!!! Sabíamos que transformar pessoas e trabalhá-las a partir do coração era uma batalha que demoraria o seu tempo!!! Nunca desistimos!!! Aos poucos os resultados foram aparecendo!!!
        Ontem foi um dia muito feliz, à semelhança dos outros anos e quando saem os "rankings" das escolas! Apesar de estar longe, acompanho os resultados da nossa Escolinha da Fajã!!! Estamos entre os melhores, quando as dificuldades de vida de muitas das famílias destas freguesias da ponta sudoeste da Ilha da Madeira são enormes!!! Há muito tempo, deixámos de ser os piores do concelho e da Ilha da Madeira!!! De acordo com o jornal "Público" de ontem e os "rankings" das escolas do Ensino Básico, chegámos à Posição 143º a nível nacional (entre as 30 melhores escolas públicas do país), em 1247 Escolas nacionais, a melhor posição ao nível das escolas públicas da Região Autónoma da Madeira (3ª posição da RAM em 31 escolas), apenas superada pelas privadas "Externato da Apresentação de Maria" e "Colégio Santa Teresinha". Parabéns a todos os alunos e Famílias! Parabéns a todos os meus colegas! Parabéns ao meu grande amigo e colega Delfim Lourenço, que continua a cuidar daquela grande e linda árvore, cuja sementinha foi lançada naquela grande ladeira do "Lombo de São João", naquela noite de amizade memorável!!! Parabéns a todos!!! Parabéns a toda aquela Comunidade Educativa!!! Saudade!!!

http://serounaoserverdade.blogspot.com/2012/02/projeto-escola-da-faja-da-ovelha-eb-123.html

sábado, 29 de novembro de 2014

Empobrecimento Lícito

        Sempre que surgem nos jornais "ilustres" personalidades do nosso País, ligadas à corrupção ao mais alto nível (milhares de milhões como se de cêntimos se tratasse)... fala-se de "Enriquecimento Ilícito"... É sem dúvida um dos grandes cancros do nosso País e do Mundo...
        Contudo, aflige-me ver Portugal e todos aqueles que trabalham arduamente a serem espoliados legalmente... nem que para isso se tenha de alterar ou deturpar a principal lei que rege a nossa democracia (A Constituição). Infelizmente estamos perante um "empobrecimento lícito" e mais grave do que isso, é que sempre que há empobrecimento de uns, outros (poucos) vêem as suas fortunas crescerem exponencialmente. O dinheiro circula... diretamente dos que trabalham para os agiotas... Assim sendo, e por uma questão de lógica, se existe empobrecimento lícito, também existem grandes fortunas que crescem de forma lícita (desprezando o valor do trabalho). Penso que é importante, para além dos Enriquecimento e do Empobrecimento ilícitos, começarmos a nos preocupar, como é que numa democracia é possível existir, por um lado, o Enriquecimento Lícito (sem recurso ao trabalho e com base no ócio) e, consequentemente, o Empobrecimento Lícito (dos que trabalham e produzem)!!! Tudo tão transparente, tudo à vista... sem qualquer escrúpulo ou respeito pelo cidadão comum!

domingo, 23 de novembro de 2014

Joana Da Rosa - 2 Anos de Basket

Basquetebol Sub16/19 Femininos
        Obrigado ao Santarém Basket Clube, aos treinadores, às atletas e aos pais que nunca deixaram de estar com a equipa!

Jogos de Maio 2014