sexta-feira, 11 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Cuidando do Meu Jardim

Acredito que, ao nascermos, a Vida confere-nos um pequeno jardim para cuidarmos. Todos temos o nosso jardim. Este jardim não tem muros, não tem sebes, não tem limites... A riqueza e a beleza do cada jardim apenas é possível, devido à ligação a todos os outros jardins que nos rodeiam, a todos os outros jardins que estão para além do horizonte... Esta ausência de barreiras permite a polinização cruzada, diversificando e embelezando as queridas plantinhas que estão à nossa guarda. A partilha de sementes permite manter toda o sua espetacularidade, diversidade e riqueza. Por vezes, as intempérides não ajudam e o nosso jardim passa por dificuldades, mas, a partilha e a dádiva de sementes pelos outros jardins, permitem a sua sobrevivência e a manutenção de todo o seu esplendor.
Amo o meu jardim. Amo cada uma das plantinhas que estão à minha guarda. Amo todos os outros jardins, mesmo aqueles cujos jardineiros preocupam-se demasiado em construir muros para os limitar, tentando, em vão, contrariar as leis da Mãe Natureza! Esquecem-se que o vento, os pássaros, as abelhinhas levarão o pólen das nossas flores... Esquecem-se que estes agentes polinizadores continuarão a fazer o seu trabalho!
Entristece-me os jardineiros que teimam em esconder a beleza dos seus jardins! Talvez não tenham olhos para a ver! Talvez passem demasiado tempo, preocupados com os jardins do vizinho, esquecendo de cuidar do seu! Talvez percam demasiada energia a construir muros... Os muros limitam a entrada de luz... As plantas deixam de ver o esplendor do nascer e do pôr-do-sol... Deixam de realizar a fotossíntese na sua plenitude! As plantas desses jardins, e do jardins próximos, ressentem-se...
Tento compreender esses jardineiros, nunca me esquecendo da minha principal missão: "cuidar do meu jardim". Porque escondem a beleza dos seus jardins? Porque constroem muros?
Porque, por vezes, pela calada da noite, atiram pedras aos jardins
vizinhos? Aprendi que a Vida e o Mundo só estão completos se todos os jardins viverem em liberdade e em comunhão... sem muros e disseminando o valor da partilha e da dádiva! Reconheço que isso é uma perfeição, inatingível, mas não excluirei essa possibilidade. Assim sendo, não posso deixar que os muros proliferem!!! Poderia também fechar-me no meu jardim e construir os meus muros... Poderia ripostar com as pedradas que caem sobre as minhas plantas, pela calada da noite... Mas isso, apenas contribuiria para o fortalecimento dos muros, da divisão, da discórdia, da antítese de tudo aquilo em que acredito... Cada pedrada que destrói o labor de uma das minhas plantinhas, dá.me mais energia para lançar novas sementes... para tornar ainda mais belas cada uma das minhas plantinhas. Convido esses jardineiros a vir conhecer meu jardim... Convido-os a aprender a ver a beleza interior de cada uma das plantinhas ao meu cuidado. Começámos a trabalhar a beleza de cada indivíduo, do interior para fora... Não uso pesticidas nem herbicidas, para mascarar realidades, para que as plantas cresçam apenas e tenham bom aspeto, boa imagem! Trabalhamos a olhar e a sentir o coração de cada um de nós... Enfrentamos juntos a Vida, com trabalho, com o respeito pelo próximo e sempre na verdade! Aprendi tudo isto com as plantinhas que eu próprio cultivei... São elas que me dão essa lição de vida!
Continuarei a cuidar, apaixonadamente, do meu Jardim... O meu Jardim só estará completo quando todos os outros jardineiros tiverem como principal missão "cuidar do seu jardim"! Sem muros, sem egoísmos, sem invejas, sem gastar energias a destruir e a esconder o trabalho dos outros, mas... a "cuidar do seu jardim"! Uma coisa é certa, o meu jardim só brotará na sua plenitude, quando todos formos livres e percebermos que todos os jardineiros, todos os jardins... somos apenas UM!
sábado, 29 de março de 2014
Urgente!!! Precisamos de Líderes!!!
"Para os homens, ter um guia é tão fundamental como comer, beber e dormir." (Charles de Gaulle).
Há muito que Portugal perdeu o seu rumo. Nos últimos anos, todos os nossos Comandantes, navegaram sem olhar o horizonte, sem conhecer os astros, sem conhecer os principais instrumentos de navegação... Navegam olhando para o seu umbigo e quando a nau está prestes a encalhar, a afundar ou a ser albarroada, são os primeiros a abandoná-la (quando as regras e o bom senso dizem que devem ser sempre os últimos, e lutarem até ao fim por cada um dos seus tripulantes)! Exigem sacrifícios, sem passar por eles, sem dar o exemplo... Não abdicam de luxos, nem de atribuir ordenados chorudos a gestores públicos e a gestores de empresas público-privadas, onde os lucros são divididos entre estes e os prejuízos divididos pelo povo quando há gestão danosa! Os banqueiros têm ordenados multimilionários e acumulam riqueza e quando os bancos estão em apuros, devido a este enriquecimento (dito lícito) e outras trafulhices de má gestão, o Povo é chamado para tapar buracos financeiros!
Há muito que Portugal perdeu o seu rumo. Nos últimos anos, todos os nossos Comandantes, navegaram sem olhar o horizonte, sem conhecer os astros, sem conhecer os principais instrumentos de navegação... Navegam olhando para o seu umbigo e quando a nau está prestes a encalhar, a afundar ou a ser albarroada, são os primeiros a abandoná-la (quando as regras e o bom senso dizem que devem ser sempre os últimos, e lutarem até ao fim por cada um dos seus tripulantes)! Exigem sacrifícios, sem passar por eles, sem dar o exemplo... Não abdicam de luxos, nem de atribuir ordenados chorudos a gestores públicos e a gestores de empresas público-privadas, onde os lucros são divididos entre estes e os prejuízos divididos pelo povo quando há gestão danosa! Os banqueiros têm ordenados multimilionários e acumulam riqueza e quando os bancos estão em apuros, devido a este enriquecimento (dito lícito) e outras trafulhices de má gestão, o Povo é chamado para tapar buracos financeiros!
Harry Truman dizia que "a liderança é a capacidade de conseguir que as pessoas façam o que não querem fazer e gostem de o fazer". Os nossos líderes não fazem o que obrigam as pessoas a fazer (e não querem fazer) e muito menos conseguem que as pessoas gostem de fazer aquilo a que são obrigadas a fazer!!! Quando fazemos parte de um grupo, de um país, de uma família... o amor que nos une, leva-nos a fazer sacrifícios para ajudar o próximo, para ajudar o grupo... Esses sacrifícios apenas fazem sentido, quando toda a Família e em especial os seus líderes (tem de haver sempre um líder) são os que dão o exemplo em primeiro lugar... O sabor da vitória do grupo, após o sacrifício de todos, é algo extraordinário da condição humana. Vejamos o Papa Francisco... Vejamos Nelson Mandela... Começaram por abdicar de muitos dos seus luxos... Lideram ou lideraram pelo exemplo... A liderança deverá entrar no coração de cada um e nunca deverá ser sentida na pele!
Os nosso líderes não amam, nem têm amado o seu povo... Não amam as suas gentes... Fazem parte de uma grande Grupo que alguns apelidam de "Piratas", que saqueiam os cofres do Estado, de uma forma completamente lícita e descarada, pois enquanto comandaram ou comandam a nau, prepararam e aprovaram leis para tal! Se for ilícito... existem casos que prescrevem, existem contas em "off-shores" a engordar e mil e um esquemas que este Grupo muito bem esconde. O poder vai rodando entre os elementos desse vasto Grupo, havendo aqueles, que disfarçadamente (sem nunca entrar na nau) comandam à distância... todo este saque! Manipulam-se números, faz-se estatística eliminando dados, utilizando a Matemática para anestesiar e enganar o povo durante o saque. As pessoas já não contam... O que sentem, como vivem... o País real não interessa... Quando não existe correspondência entre o que vai na alma e no coração de um povo e os dados estatísticos e a Matemática... é porque houve omissão ou manipulação errada desses dados! Utilizar a Matemática como instrumento de manipulação de massas deveria ser crime!
Qualquer Economia funciona com a "circulação do dinheiro"! O dinheiro daqueles que trabalham e produzem, não desaparece para outra Galáxia... Apenas passa das suas mãos, para as mãos do Grupo de "Piratas"! Tudo tão silencioso! E já não volta... Deixando de circular... Pondo em risco toda a Economia!!!
Há dias alguém dizia... "São todos uns mamões..." Fui ao dicionário ver o significado de "mamão" e de "mamar". "Mamão- que mama muito e frequentemente; 1 Botânica: rebento que rouba o suco à planta; 2 Zoologia: animal que ainda mama; 3 Zoologia: bezerro ou burro de um ano." "Mamar- I sugar (o leite da mãe); 2 Aprender na Infância; 3 Apanhar, Obter; 4 Extorquir, enganar; 5 Consumir, Engolir; alimentar-se com leite sugado da mamã". Sendo a Mãe o nosso País... tudo faz sentido... Esquecendo que cada Português é um dos seus filhos, estes "filhos da Mãe", não deixam para os seus irmãos (o povo... as pessoas... aqueles que sabem o quanto custa a vida...), qualquer gota de leite, obrigando muitos a procurar Mãe adoptiva (outro País)!!! Conseguirão os nossos líderes ir além de tal instinto/ação primária da condição humana, que é Mamar? Será Verdade que estamos perante "mamões" compulsivos... que desconhecem o valor da dádiva e da partilha!!! "Nada parece verdadeiro que não possa parecer falso" (Montaigne).
P.S. Todos os dias somos bombardeados pela comunicação social com notícias que parecem comprovar uma triste realidade... ficam aqui algumas dessas notícias...
http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=3054648&especial=Revistas%20de%20Imprensa&seccao=TV%20e%20MEDIA
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/economia/ex-ministros-em-lugares-dourados-190904877
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/diferencas-entre-os-muito-ricos-e-muito-pobres-continuou-a-subir-em-portugal-1629573
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/salario-milionarios-no-novo-banco-publico
segunda-feira, 24 de março de 2014
Homem do Mar
| Meu Pai na "Ponta da Baixa" - Arcos 1978 |
Acabáramos de dormir poucas horas. Nestas noites tinha um sono leve... Assim que ouvia o soalho da adega a ranger, com os passos leves do meu querido pai, sabia que estava na hora de acordar!!! Horas antes, tínhamos ido apanhar caranguejo durante o fechar da noite, com a luz de um facho (lata com uma torcida de pano na ponta, embebida em petróleo que estava no seu interior), conseguindo encandear os caranguejos e apanhá-los à mão. As "moiras" (ou "mouras") serviriam para isca e os "fidalgos"(outra espécie), serviriam para a minha querida mãe fazer um belo petisco! Antes de irmos ao caranguejo, já tínhamos preparado e afinado todas as artes de pesca. O "trol" já estava iscado com metades de pequenos chicharros ("trol" - fio de pesca de nylon com cerca de 100 metros com anzóis equidistantes e que fica a espera da sua sorte no fundo do mar), as redes estavam alinhadas dentro das sacas de serapilheira, as agulheiras tinham sido verificadas, os alinhavões também, as poitas (pedras que serviram de âncora) tinham sido escolhidas, toda a palamenta fora colocada em cima da Toyota Dyna (Modelo BU15 - matrícula FN-21-22) e o motor Johnson 4cv (motor velhinho que já tinha servido para ir à pesca nas costas do Estado de Nova Iorque) preso no taipal esquerdo junto à cabine.
Devia ter os meus 14 anos (Ano de 1985)... Não sei... Nesta coisa de idades, por vezes a minha memória não deu a devida importância! Depois de umas boas sopas de leite com massa sovada, saímos dos Arcos (localidade à beira mar na freguesia de Santa Luzia - Ilha do Pico) na Toyota, para o porto da localidade do Cais de Mourato (freguesia das Bandeiras), sítio onde repousava a "Pérola do Mar", uma "chata" de madeira de criptoméria, com cavername de "cedro do mato", com pouco mais de 4 metros, mas com uma boca capaz de aguentar muito mar e 3 ou 4 homens debruçados a bombordo ou a estibordo, sem revirar. Apesar do céu limpo e da pequena brisa que vinha da montanha, ouvia-se o rebentar das ondas, sobre a baixa a oeste da rampa do porto e, a leste, fora do "Enchente" (Piscina de Maré, onde de dia a malta vai nadar). Apenas o clarão da Via Láctea nos iluminava e todas as outras estrelas que parecem desalinhadas no Céu. Dois outros clarões (intermitentes e ritmados em grupos de três) nos guiavam... o Farol da Ribeirinha na Ilha do Faial e o Farol da Ponta dos Rosais na Ilha de São Jorge. Para além de "toda" esta luz, um clarão permanente pairava sobre a cidade da Horta, como se nos chamasse à atenção sobre a sua existência.
Arrastada à mão, com a quilha a deslizar sobre os "paus"(pequenos cepos de madeira com corte onde encaixava a quilha), lá deslizámos a "Pérola do Mar", pela rampa até à beirinha de água. Motor, remos, "jája"(rolha de cortiça) e cabo colocados, lá fazíamos força para meter a lancha na água. Enquanto meu pai segurava nos remos, ía-lhe passando o resto dos arrais de pesca e palamenta, segurando sempre o cabo preso na proa. Motor a trabalhar, remos para dentro e lá saímos, no escuro da noite... Mais uma madrugada de pesca, como tantas outras... Desta vez experimentaríamos várias artes de pesca em simultâneo... A esperança era sempre a mesma!!!
| Arcos 1994 - Tartaruga apanhada viva para as fotos e devolvida ao seu habitat |
Começámos por largar o "trol" em águas mais profundas, um pouco mais a Norte do local que escolhemos para pescar de alinhavão (fio 120 com um grande anzol) para a pesca de peixes de maior porte. Um pouco mais para terra, deixámos as 3 redes, sempre com o cuidado de coordenar os remos com a força da corrente da maré, de forma a que estas ficassem bem esticadas ao longo do fundo (talvez a uns 50 metros de profundidade). Entre o "trol" e as redes largámos a poita. De alinhavão na mão, aguardávamos o primeiro toque, naquele grande anzol com isca de sargo. Pouco tempo tardou... Um grande mero (talvez uns 15 ou 20 kg), um grande "crongo"(congro ou safio), moreias pintadas, moreias pretas, moreões, abróteas... Nunca em tão pouco tempo tínhamos visto tanto peixe a entrar na "Pérola do Mar"... Tínhamos sido abençoados... e agradecíamos a Deus por tamanha benção! Mas, quis o destino que essa benção nos acompanhasse até ao regresso ao Porto do Cais do Mourato. Quando o Sol já começava a espreitar lá por detrás de São Jorge, levantámos o "trol"... mais uma pescada incrível, repetindo a dose das espécies já capturadas. Dirigimo-nos para junto das redes, tirámos as agulheiras e pescámos com isca de caranguejo... Muitas foram as garoupas e bodiões que pescámos... A hora de levantar as redes aproximava-se... Não podíamos deixar o Sol subir muito no Céu, pois os "peixes porco" ao acordarem, começariam o dia a devorar o peixe que malhara nas redes. À medida que puxávamos a primeira rede, víamos o reluzir de muitos peixes... Não podíamos acreditar! Parecia que todas as "vejas" (na Madeira chamam "bodião" - o nosso "bodião" é diferente) tinham decidido passar pela rede! Estavam as 3 redes carregadinhas de "vejas", bicudas, taínhas e outros peixes... Nunca a "Pérola do Mar" tinha visto tanto peixe no seu interior... O peso era muito... Devagar, navegámos até à rampa do Cais do Mourato... Tínhamos peixe para uns bons meses para toda a família... Nunca hei-de esquecer aquela madrugada e início de manhã!!!
Aprendi com meu Pai a amar o Mar e a agradecer tudo o que ele me dá. Nos Açores e em especial na Ilha do Pico, normalmente temos os "Homens do Mar" e os "Homens da Terra"... Os "Homens do Mar" amam o Mar e procuram nesta imensidão, a sua sorte e grande parte do seu sustento... Os "Homens da Terra", amam a Terra, criam gado e predominantemente cultivam a Terra, não tendo grande ligação ao Mar. Ambos complementam-se... Ambos dão sentido àquele Mar por vezes revolto e àquela terra basáltica difícil de cultivar. Meu avô paterno sempre foi um "Homem da Terra" (apenas descobriu o Mar dois ou 3 anos antes de falecer). Levava os seus pequenos filhos (a partir dos 5/6 anos) a trabalhar a Terra de Sol a Sol. Aos poucos, meu Pai cultivou a paixão pelo Mar. Quando meu avô dava-lhe a tarefa de trabalhar 5 ou 6 "canadas" de vinha, ele lá dava o máximo, para correr até ao baixio de "Debaixo da Rocha" (http://serounaoserverdade.blogspot.pt/2012/02/magia-debaixo-da-rocha.html), e pegar na sua cana de bambu e pescar desde o "Pico da Garça" até à "Pedra do Leste". Aprendeu a ouvir o Mar. O Mar fala-nos... Diz-nos quem somos... O seu horizonte dá-nos a esperança... Meu Pai foi sempre o meu grande mestre. Todos os segredos que o Mar lhe contou, transmitiu-os aos seus filhos. Com ele, aprendi a ouvir o Mar... Aprendi a ouvir o que dizem as suas ondas quando estou junto à costa... Aprendi a ouvir o seu silêncio quando mergulho no seu seio, como se desafiasse a gravidade e voasse livremente... Aprendi a agradecer tudo o que o Mar nos dá!!! Aprendi a Amá-lo e a respeitá-lo! Descobri que grande parte da minha alma é Mar, por mais longe e distante esteja! Aprendi a ser um "Homem do Mar"! Obrigado meu Pai, por tudo o que me ensinaste!
| Embucheirar de um Polvo no Baixio de "Debaixo da Rocha" |
| "Debaixo da Rocha" 2001 - Eu e a minha Princesa! |
domingo, 12 de janeiro de 2014
Avó Conceição... Viva na Minha Essência, No Meu Ser...
| Avó Luzia e Avó Conceição vivas na minha essência, vivas no meu coração, vivas no meu ser!!! Obrigado por tudo o que Sou! |
Noite de Reis... Meu Pai ligara-me, e com parcas palavras, informou que a minha querida Avó, sua Mãe, preparava-se para partir para outro Reino. Uma grande tristeza invadiu a minha alma por não poder estar com a Família naquela partida... Por outro lado, fui abrindo, em "flashes" sucessivos, todas as caixinhas da memória! Eram infindáveis... Um Império, sem limites... Um legado sem fim... Era assim que via (e vejo) a vida e obra de Maria da Conceição Oliveira!!! Com seu querido Marido (meu avô), que a deixara há 30 anos, edificaram 4 fortalezas (os seus 4 filhos), onde guardaram os mais nobres valores humanos que os meus bisavós construíram e deixaram! O Império cresceu e e hoje estende-se de um lado ao outro do Atlântico, estando no basalto da Ilha do Pico (Açores), cravadas as suas raízes! 4 filhos, 9 netos, 18 bisnetos (+ 1 em trânsito)!
A minha dor, por não poder estar presente naquele momento, era compensada pela imortalidade da minha querida avó, pela imortalidade e vivacidade do seu legado... do seu Império!!! Meia hora depois do primeiro telefonema, meu Pai ligou-me a confirmar a partida! Teve tempo de se despedir das suas 4 fortalezas, incluindo o seu filho Fernando que se encontra nos Estados Unidos, através de um telefonema! Fechou os olhos e partiu em paz!!! Nesta noite que se avizinha, faz uma semana que a minha querida avó Conceição partiu!
Escolheu a Noite de Reis.... escolheu a noite daquela Estrelinha que a guiou durante toda a vida! A coerência com que enfrentou a vida e a construção do seu império, guiada por valores e princípios, encontram seu testemunho em cada passo que deu! Na noite de 6 para 7 de janeiro, enquanto a Família prestava-lhe homenagem, ao seu lado esteve sempre a sua amiga de infância e vizinha, Sra. Arminda. Contemplei o seu olhar, os seus gestos, sempre com um grande sorriso nos lábios... Por algumas vezes, deslocou-se junto ao corpo e segurava-lhe a mão, parecendo comunicar-lhe pela alma. Antes da partida para o cemitério, dei um abraço à Sra. Arminda e agredeci-lhe a fidelidade daquela amizade... Ela dizia-me: "Foi uma grande amiga! Conhecíamo-nos e entendíamo-nos na perfeição. Bastava um olhar, um gesto, um assobio e logo sabia o que Ela estava a pensar!".
Naquela noite, o vento soprava forte de noroeste com mar alteroso! É este mar tempestuoso de noroeste que traz para terra e para o baixio da localidade de "Debaixo da Rocha", objetos que andam à deriva no Mar. Na minha infância, era a altura de ir "correr o baixio" à procura de tesouros. Nesta noite de mar de noroeste, o mar traz de volta as minhas memórias. Ao olhar a Sra. Arminda, viajei trinta e muitos anos até àquela casinha junto do Cabeço do Moinho, na freguesia das Bandeiras e àquela pequena adega na localidade de "Debaixo da Rocha". A minha Avó era a melhor contadora de histórias do Mundo!!! Sentava-me junto a Ela, e viajava por um Mundo de fantasias e sonhos, parecendo muitas vezes ser personagem das histórias, tal era a emoção com que me envolvia!!! Adorava a história do "Touro Azul" (curiosamente descobri-a hoje na net em: http://obaudasmemorias.blogspot.pt/2011/01/o-touro-azul.html)! Adorava que repetisse as mesmas histórias, vezes sem fim, pois descobria sempre no recanto de cada história, pormenores que me ajudavam a fazer parte das mesmas! Aprendi a sonhar!!! Lembro-me de sonhar em navegar!!! Construir uma jangada com uma câmara de ar cheia e uma tábuas por cima, e minha avó levar-me ao "Portinho", pequena enseada junto à "Pedra do Leste" na localidade de "Debaixo da Rocha"... Sonhei marear em alto Mar... Viajei até alto mar... Tal como nos sonhos, o tempo não existia... Aqueles breves segundos que me aguentava em cima da jangada, sem as ondas a revirarem, enfrentei heroicamente grandes tempestades... Repeti nesse dia as mesmas viagens, vezes sem conta... A minha avó dizia-me para ter cuidado e parecia preocupada, mas nunca interrompeu a minha vontade de sonhar... Depois vinha a hora de almoço... Aquele cheiro e sabor a pimenta jamaica que utilizava na carne, parece presente nas minhas papilas gustativas, sempre que recordo... O seu arroz doce e o seu pão de ló... hummm!!!
Nos últimos dez anos, a doença de Parkinson limitou-lhe paulatinamente os movimentos. A minha querida Tia Sãozinha e Sua Filha, cuidou da Sua Mãe com todo o Amor!!! Apesar de não conseguir falar e não conseguir fazer movimentos, os seus olhos falavam!!! Apresentou sempre toda a lucidez até ao fechar dos mesmos. Hoje continua viva... no coração de cada filho e de cada neto... na memória genética de cada bisneto... O Império continuar-se-á a construir!!!
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| Meus Avós nos Estados Unidos da América |
Deixo algumas das últimas quadras da minha querida Avó Conceição :
...
"Tive três filhos e uma filha
Que nasceram do nosso amor,
A Deus eu digo obrigado,
É como um jardim em flor.
...
Como é ordem do mundo
Meus filhos casaram.
Nove netos que tenho,
Todos eles já cresceram.
...
Agora a minha vida,
Vivo recordando,
E os versos que eu fiz,
Baixinho os vou cantando.
...
Esta vida são dois dias,
Foi o que sempre ouvi dizer;
Viver não custa nada,
Vai tudo é saber viver.
A vida vai-se passando
E o cabelo branqueando;
A vida é coisa bela,
Lá vamos recordando.
Foi Deus que nos deu a vida
E a alma e o coração,
Dizer obrigado
É a nossa obrigação.
Eu sou agora da 3ª idade,
É como o trigo maduro.
Quem andou não tem para andar,
E a Deus pertence o futuro.
...
Debaixo de uma figueira
Sentada comi figos,
Um filho não é para um pai,
Mas um pai é para cem filhos.
Não rias, não faças troça
Quando vires um velhinho,
Se tu não morreres novo,
Passas no mesmo caminho.
Este mundo é uma vinha,
Cada qual uma latada,
Vem a morte e faz vindima
E fica a vinha vindimada
...
Com enganos escrevi,
Mas também com emoção,
Foi um pouco da vida,
De Maria da Conceição."
Maria da Conceição Oliveira, in "Os Versos Que Eu fiz, Baixinho os Vou Cantando" (versos escritos para ajudar na restauração da Igreja de N. Sra. da Boa Nova - freguesia da Bandeiras, Ilha do Pico, depois do terramoto de 9 Julho de 1998).
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